Escala 6×1: condomínios devem acompanhar debate e avaliar possíveis impactos na gestão
24/06/2026A discussão sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 tem ganhado cada vez mais espaço no país e despertado atenção de empregadores e trabalhadores. O tema, impulsionado por diferentes Propostas de Emenda à Constituição (PECs), que vão desde a redução da jornada de 44 horas até propostas de flexibilização do trabalho, busca redefinir a relação entre tempo de serviço e descanso dos profissionais.
Nos condomínios, onde diversos serviços funcionam de forma contínua e dependem da atuação de porteiros, zeladores, vigias e equipes de manutenção, eventuais mudanças nas regras trabalhistas poderão exigir adaptações na gestão de pessoal. Especialistas recomendam que síndicos e administradoras acompanhem o assunto de perto para compreender seus possíveis reflexos.
A proposta, já aprovada pela Câmara dos Deputados, tem como objetivo proporcionar mais equilíbrio entre vida profissional e pessoal, ampliando o tempo destinado ao descanso, à convivência familiar e ao lazer. No entanto, qualquer alteração na legislação trabalhista pode gerar impactos na gestão financeira, na organização das equipes e nos custos relacionados à mão de obra.
Segundo a advogada especializada no mercado condominial e responsável pelo setor Jurídico do Secovi Rio, Ana Cristina Rielo, o momento é de informação e análise, sem decisões precipitadas.
“É importante que síndicos e administradoras acompanhem as discussões com serenidade. Ainda estamos diante de um tema em debate, mas é recomendável que os condomínios compreendam desde já quais poderão ser os impactos operacionais e financeiros caso ocorram alterações na jornada de trabalho”, afirma.
Como os condomínios podem se preparar?
Entre os pontos que poderão exigir atenção está a necessidade de reorganização das escalas de trabalho para manter o mesmo padrão de atendimento aos moradores. Dependendo do modelo que venha a ser adotado futuramente, os condomínios poderão enfrentar desde a necessidade de ampliar suas equipes até a implementação de novos regimes de compensação de horas.
“Cada condomínio possui a sua realidade. Por isso, qualquer avaliação deve considerar o perfil do empreendimento, a quantidade de funcionários, os serviços oferecidos e a convenção coletiva aplicável. Não existe uma solução única. O mais importante é realizar estudos técnicos que permitam identificar os impactos e planejar eventuais adequações”, explica Ana Cristina.
Vale lembrar que o texto aprovado na Câmara dos Deputados prevê uma transição para a jornada máxima de 40 horas semanais e abre espaço para que as convenções coletivas negociem regimes de compensação de jornada para atividades contínuas, o que reforça o relevante papel do Secovi Rio nessas mudanças.
A especialista destaca que eventuais adaptações não significam necessariamente aumento de estrutura. Em alguns casos, a alternativa poderá envolver a reorganização das equipes, a revisão de processos internos, ajustes em determinados serviços ou investimentos em soluções tecnológicas capazes de contribuir para a eficiência operacional.
Nesse cenário, o Secovi Rio reforça a importância de que síndicos busquem orientação técnica e jurídica junto às administradoras antes de tomar qualquer decisão relacionada à gestão de pessoal.
“A administradora exerce papel fundamental nesse processo, auxiliando o condomínio na análise dos impactos financeiros, operacionais e trabalhistas. O planejamento será essencial para preservar o equilíbrio das contas e a continuidade dos serviços prestados aos moradores”, conclui.
Embora essas propostas ainda dependam do avanço das votações no Congresso Nacional, acompanhar o tema de forma estratégica permitirá que condomínios, síndicos e administradoras estejam mais preparados para enfrentar eventuais transformações de forma organizada, responsável e alinhada às exigências legais.




